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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Avaliação neuropsicológica

Devolutiva da avaliação neuropsicológica: como aproveitar o encontro

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga, sorrindo, sentada no braço de uma poltrona clara
Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga.

A devolutiva é o encontro em que o psicólogo explica os resultados da avaliação, responde às dúvidas e entrega o documento escrito. Para laudos e relatórios, a Resolução nº 06/2019 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) diz que fazer pelo menos uma entrevista devolutiva é dever do profissional. Chegar com perguntas preparadas ajuda a sair dali com um plano claro.

O que acontece nesse encontro

A conversa costuma retomar o motivo que levou à avaliação e as perguntas que ela precisava responder. Depois vêm os resultados, explicados em linguagem acessível:

  • Quais funções estão preservadas ou acima do esperado
  • Quais estão abaixo do esperado para a idade e a escolaridade
  • Como esses achados se relacionam com a queixa do dia a dia
  • Qual a conclusão ou hipótese diagnóstica, quando for o caso
  • Quais intervenções e encaminhamentos são recomendados

Entre as tarefas do profissional, o manual do CFP dedicado à neuropsicologia inclui oferecer uma devolutiva competente e empática e compartilhar a compreensão do caso com a pessoa avaliada e a família.

Pela Resolução CFP nº 06/2019, o documento é entregue diretamente à pessoa atendida, ao responsável legal ou a quem solicitou a avaliação, nesse encontro. O psicólogo guarda um protocolo de entrega assinado.

Perguntas para levar anotadas

Na hora da conversa, é comum esquecer o que se queria perguntar. Uma lista ajuda:

  • Quais pontos fortes apareceram e como podemos aproveitá-los?
  • O que explica a dificuldade que nos trouxe até aqui?
  • Existe um diagnóstico, uma hipótese ou algo que ainda precisa ser investigado?
  • O que podemos mudar na rotina de casa a partir de agora?
  • Que adaptações fazem sentido na escola ou no trabalho?
  • Quais profissionais devem entrar no cuidado, e em que ordem?
  • Quando faz sentido avaliar de novo?
  • Podemos entregar este documento inteiro à escola?

Com crianças maiores e adolescentes, vale perguntar também se faz sentido uma conversa curta com eles, em palavras adequadas à idade. Entender as próprias dificuldades ajuda a aceitar o apoio.

Como ler o documento

Quando a avaliação termina em laudo psicológico, a Resolução CFP nº 06/2019 prevê seis partes: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências. A análise é onde aparecem os resultados comentados. A conclusão responde à pergunta inicial e traz as recomendações.

O último parágrafo do documento indica o prazo de validade do seu conteúdo. Esse prazo ajuda a planejar quando uma reavaliação pode ser útil. A diferença entre laudo, relatório e outros documentos está explicada em laudo, relatório ou parecer.

Como usar o resultado na escola

Pela Lei nº 14.254/2021, as escolas de educação básica, públicas ou privadas, precisam garantir cuidado e proteção aos alunos com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem, com acompanhamento dos educadores desde cedo. Os detalhes estão no texto sobre os direitos do aluno com dislexia e TDAH.

Para transformar o laudo em ação:

  • Peça uma reunião com a coordenação e o professor de referência
  • Leve as recomendações destacadas e explique as que forem mais urgentes
  • Combine o que será feito, por quem e a partir de quando
  • Marque uma nova conversa para ver se as mudanças estão funcionando

Pergunte ao psicólogo se é melhor entregar o laudo completo ou um documento mais curto, voltado para a escola. Informações de saúde da família nem sempre precisam circular.

Com médicos e outros profissionais

Leve o documento à próxima consulta com o pediatra, o neurologista ou o psiquiatra. O diagnóstico médico e qualquer decisão sobre medicação continuam com o médico, que usa o laudo como mais uma informação.

Fonoaudiólogos, psicopedagogos e terapeutas ocupacionais também podem usar as recomendações para montar o plano de trabalho.

Depois da devolutiva, guarde o documento em lugar seguro e tire uma cópia para uso no dia a dia. Se surgirem dúvidas ao reler em casa, anote e procure o profissional que fez a avaliação para esclarecer.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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