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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Dificuldades de aprendizagem: quando investigar

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins sorrindo em uma cabine da sala de estudo assistido
Kennya Martins na sala de estudo assistido do Instituto Mundo de Dentro.

"Ele é inteligente, mas não se concentra." "Ela lê, mas não entende o que leu." Frases assim são comuns em reuniões de escola. Muitas vezes a dificuldade passa com reforço e tempo. Em outras, ela persiste mesmo com apoio, e aí vale investigar o que está por trás.

Dificuldade ou transtorno?

Toda criança tem matérias em que vai melhor e outras em que vai pior. A suspeita de um transtorno de aprendizagem surge quando a dificuldade:

  • É bem maior do que a esperada para a idade e a escolaridade
  • Continua por meses, mesmo com reforço e acompanhamento
  • Aparece em uma habilidade específica, como leitura, escrita ou cálculo
  • Não se explica por falta de oportunidade de aprender, problemas de visão ou audição

Os quadros mais conhecidos

  • Dislexia: dificuldade persistente para ler com fluência e precisão, apesar de ensino adequado
  • Disortografia: dificuldade na escrita, com erros que se repetem mesmo depois de corrigidos
  • Discalculia: dificuldade com o sentido dos números, o cálculo e o raciocínio matemático

Esses quadros podem vir junto com o TDAH, o que torna a investigação ainda mais importante.

Como a avaliação ajuda

A avaliação neuropsicológica mapeia como a criança aprende: o que está preservado, o que está abaixo do esperado e por quê. Ela olha para atenção, memória, linguagem, percepção visual, raciocínio e funções executivas.

O resultado não serve só para dar um nome à dificuldade. Ele orienta o que fazer: que tipo de apoio a escola pode oferecer, que adaptações fazem sentido nas provas e que outros profissionais podem ajudar, como fonoaudiólogo ou psicopedagogo.

O papel da escola

A Lei 14.254, de 2021, determina que estudantes com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem tenham acompanhamento específico na escola, o mais cedo possível. Com o resultado da avaliação em mãos, a família tem base para conversar com a coordenação sobre esse acompanhamento.

Como é a avaliação na prática

A avaliação começa com uma conversa com a família, que conta a história da criança desde a gestação: desenvolvimento da fala, entrada na escola, mudanças, doenças. Depois vêm as sessões com a criança, com tarefas e testes adequados à idade. Muitas vezes, a escola também é ouvida por meio de um questionário ou de um relatório.

Ao final, a família recebe a devolutiva: uma conversa para explicar os resultados e as orientações, acompanhada de um documento escrito.

Adaptações que costumam ajudar na escola

  • Mais tempo para fazer provas e atividades
  • Leitura do enunciado em voz alta pelo professor
  • Avaliação oral quando a escrita é a principal dificuldade
  • Instruções curtas, uma de cada vez
  • Lugar na sala longe de janelas e portas, para reduzir distrações

As adaptações certas dependem do perfil de cada criança, e é para isso que serve o resultado da avaliação.

Sinais para observar em casa

  • Evitar a todo custo ler em voz alta
  • Demorar muito mais que os colegas para fazer a lição
  • Trocar letras ou números de forma persistente depois dos 7 ou 8 anos
  • Frustração intensa, choro ou dor de barriga antes da escola

Quanto mais cedo a dificuldade é entendida, menor o peso que ela deixa na autoestima da criança.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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