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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Autismo

Direitos da pessoa com autismo: o que dizem as leis brasileiras

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga infantil, ao lado da estante de jogos e brinquedos da sala de atendimento
Kennya Martins na sala de psicologia infantil.

No Brasil, a pessoa com transtorno do espectro autista (TEA) é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. A regra está na Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, e dá acesso aos direitos previstos para pessoas com deficiência. Em 2020, a Lei 13.977, chamada Lei Romeo Mion, acrescentou uma carteira de identificação própria para quem está no espectro.

O que a Lei Berenice Piana estabelece

A lei criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O artigo 3º lista os direitos assegurados:

  • Vida digna, integridade física e moral, livre desenvolvimento da personalidade, segurança e lazer
  • Proteção contra qualquer forma de abuso e exploração
  • Acesso a ações e serviços de saúde, com atenção integral às suas necessidades
  • Acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho, à previdência social e à assistência social

O texto também proíbe tratamento desumano ou degradante, privação de liberdade ou do convívio familiar e discriminação por motivo da deficiência. Em 2025, a Lei 15.256 incluiu entre as diretrizes da política o incentivo à investigação diagnóstica do autismo em adultos e em pessoas idosas.

Por ser considerada pessoa com deficiência, a pessoa com TEA também é protegida pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), que trata de temas como acessibilidade, educação e trabalho.

Direitos na saúde

Na área da saúde, a lei garante acesso a:

  • Diagnóstico precoce, ainda que não definitivo
  • Atendimento multiprofissional
  • Nutrição adequada e terapia nutricional
  • Medicamentos
  • Informações que ajudem no diagnóstico e no tratamento

A expressão "ainda que não definitivo" indica que a investigação não precisa esperar uma conclusão fechada para começar. Outro ponto da lei: a pessoa com TEA não pode ser impedida de participar de planos privados de saúde por causa da sua condição de pessoa com deficiência.

Direitos na educação

O acesso à educação e ao ensino profissionalizante está entre os direitos garantidos. Quando houver necessidade comprovada, o aluno com TEA matriculado em classe comum do ensino regular tem direito a acompanhante especializado.

A lei também prevê punição para o gestor escolar ou a autoridade que recusar a matrícula de aluno com autismo ou com qualquer outra deficiência: multa de 3 a 20 salários mínimos. Se houver reincidência, apurada em processo administrativo, a pena é a perda do cargo. As adaptações e o apoio em sala estão detalhados no artigo sobre autismo na escola.

A CIPTEA, criada pela Lei Romeo Mion

A Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) foi criada para garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso a serviços públicos e privados, em especial de saúde, educação e assistência social. Pela lei:

  • É emitida pelos órgãos estaduais, distritais e municipais responsáveis pela política da pessoa com TEA
  • O pedido deve vir acompanhado de relatório médico com o código da CID
  • A emissão é gratuita
  • Vale por cinco anos e é renovada com o mesmo número
  • Traz dados pessoais, foto e dados do responsável legal ou cuidador

A mesma lei permite que os estabelecimentos usem a fita quebra-cabeça, símbolo da conscientização sobre o autismo, para sinalizar a prioridade no atendimento. Como o local do pedido muda de um lugar para outro, consulte o governo do seu estado ou a prefeitura para saber onde solicitar.

Como fazer valer esses direitos

  • Guarde cópias organizadas de relatórios médicos, avaliações e laudos
  • Faça pedidos à escola, ao plano de saúde ou a órgãos públicos por escrito e com protocolo
  • Anote datas, nomes de quem atendeu e as respostas recebidas
  • Tenha à mão a CIPTEA ou outro documento que comprove a condição quando precisar de atendimento prioritário
  • Diante de uma negativa, busque orientação na Defensoria Pública ou no Ministério Público
  • Peça aos profissionais que acompanham a pessoa relatórios que descrevam necessidades concretas, e não apenas o diagnóstico

Uma avaliação neuropsicológica no autismo mostra quais apoios fazem diferença no dia a dia. Essa informação ajuda a escola e a equipe de saúde a planejar o cuidado.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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