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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Alfabetização: o que a BNCC espera em cada ano

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins sorrindo na sala lúdica, entre a mesa e a estante de brinquedos
Kennya Martins na sala lúdica do instituto.

Pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a alfabetização é o foco dos dois primeiros anos do ensino fundamental. A meta nacional, definida em decreto federal de 2023, é que as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano. Do 3º ano em diante, o trabalho se volta para a fluência, a compreensão e a ortografia, que leva mais tempo para se consolidar.

O que é a BNCC

A BNCC é o documento normativo que define as aprendizagens previstas para cada etapa da educação básica. Ela serve de referência nacional para os currículos das redes de ensino e para as propostas pedagógicas das escolas. Cada escola organiza o próprio caminho, mas a direção geral é a mesma em todo o país.

Sobre a alfabetização, o texto afirma que, nos dois primeiros anos do ensino fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização. É nesse período que a escola sistematiza o ensino do sistema de escrita alfabética.

Antes do 1º ano: a educação infantil

Na educação infantil, a BNCC valoriza o contato com a cultura escrita. A criança ouve e acompanha a leitura de histórias, manuseia livros, percebe a diferença entre ilustração e texto e demonstra curiosidade pela cultura escrita.

As primeiras tentativas de escrita aparecem como rabiscos e garatujas. Conforme a criança conhece as letras, surgem escritas espontâneas, ainda fora da convenção, mas que já mostram que ela entende a escrita como um sistema de representação. Escrever "errado" nessa fase faz parte do processo.

1º e 2º anos: aprender o sistema de escrita

A BNCC lista as capacidades envolvidas na alfabetização. Entre elas:

  • Diferenciar a escrita de outras formas gráficas, como o desenho
  • Conhecer o alfabeto e as convenções gráficas, como letras maiúsculas, minúsculas, de forma e cursiva
  • Compreender que a escrita registra os sons da fala
  • Dominar as relações entre letras e sons
  • Decodificar palavras e textos escritos
  • Reconhecer palavras inteiras com rapidez, ganhando fluência

No caminho, é esperado que a criança escreva palavras com letras faltando ou trocadas, junte palavras que deveriam estar separadas e leia devagar. O importante é que haja progresso de um bimestre para o outro.

Do 3º ao 5º ano: fluência e ortografia

Depois de alfabetizada, a criança passa a ler textos mais longos, com mais autonomia e compreensão. A ortografia avança aos poucos. A própria BNCC reconhece que o processo de ortografização, em sua completude, pode ir além dos anos iniciais do ensino fundamental. Errar a grafia de palavras no 3º ou no 4º ano não é, sozinho, sinal de transtorno.

O decreto que criou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada também prevê medidas de recomposição das aprendizagens até o fim dos anos iniciais, com prioridade para as crianças que não alcançaram a alfabetização adequada até o 2º ano.

Quando a demora merece atenção

Cada criança tem seu ritmo, e faltas, mudanças de escola e períodos longe da sala pesam no resultado. Ainda assim, alguns sinais justificam olhar mais de perto:

  • Ao final do 2º ano, a criança ainda não relaciona letras e sons ou não lê palavras simples
  • Lê com tanto esforço que não entende o que leu
  • Avança bem menos que os colegas, mesmo com reforço e atenção da escola
  • Troca, omite ou inverte letras de forma persistente quando a turma já superou essa fase
  • Evita ler, chora ou reclama de dor de barriga antes da aula
  • Teve atraso de fala na primeira infância ou tem parentes com dificuldade de leitura

Esses sinais não fecham diagnóstico. Eles indicam que vale investigar se há uma dificuldade de aprendizagem ou um quadro como a dislexia.

O que a família pode fazer

  • Conversar com a professora para entender em que ponto a criança está e o que a escola espera até o fim do ano
  • Ler com a criança todos os dias, em clima tranquilo, deixando que ela escolha alguns livros
  • Brincar com rimas, sons iniciais e palavras que começam igual
  • Verificar visão e audição
  • Cuidar do sono, que interfere na atenção e na memória
  • Procurar avaliação se a dificuldade persiste mesmo com apoio

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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