Em adultos, a avaliação neuropsicológica é indicada quando há dúvida sobre como estão a atenção, a memória, a linguagem ou as funções executivas, e essa resposta muda decisões sobre tratamento, trabalho ou rotina. As situações mais comuns são suspeita de TDAH, queixas de memória, sequelas de AVC ou traumatismo craniano e mudanças de comportamento. Em todas elas, a avaliação complementa o trabalho do médico.
Suspeita de TDAH na vida adulta
Muitos adultos chegam à avaliação depois de anos de dificuldade com prazos, organização e foco. O NIMH, órgão de saúde mental do governo dos Estados Unidos, explica que, a partir dos 17 anos, o diagnóstico exige cinco sintomas de desatenção ou de hiperatividade e impulsividade, e não seis, como nas crianças. Os sinais também precisam ter começado antes dos 12 anos.
Essa exigência torna o processo mais trabalhoso. Segundo o NIMH, o profissional pode:
- Conversar com pessoas próximas, como parceiro, familiares e amigos
- Consultar boletins e outros registros da infância
- Aplicar escalas e questionários de sintomas
- Usar testes que avaliam processos cognitivos, para mapear forças, dificuldades e possíveis transtornos de aprendizagem
- Investigar humor e saúde geral, para afastar outras explicações
O NIMH lembra ainda que o TDAH em meninas e mulheres tem mais chance de passar despercebido na infância. O tema é aprofundado no texto sobre TDAH em adultos.
Queixas de memória
Esquecimentos que ficam mais frequentes, a sensação de que o raciocínio está mais lento ou a dificuldade nova com tarefas antes simples merecem conversa com o médico. Ele investiga causas clínicas e pode indicar a avaliação. Os sinais que diferenciam o esquecimento comum de um sinal de alerta estão no texto sobre esquecimentos na vida adulta.
Nesses casos, a avaliação compara o desempenho com o de pessoas da mesma idade e escolaridade. Também registra um ponto de partida, útil se for preciso acompanhar a evolução nos anos seguintes.
Depois de AVC ou traumatismo craniano
As Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com AVC, do Ministério da Saúde, informam que o comprometimento cognitivo é comum na fase aguda, com prevalência de 45%. Ele pode envolver memória, atenção, linguagem, cálculo, orientação no tempo e no espaço e funções executivas.
As diretrizes recomendam:
- Triagem para déficits cognitivos e de percepção em todos os pacientes
- Avaliação neuropsicológica completa para quem apresenta alteração na triagem
- Escolha dos testes de acordo com idade, escolaridade, tempo e gravidade da lesão e limitações motoras ou sensoriais
- Acompanhamento ao longo do tempo, porque parte das pessoas pode evoluir para demência vascular
Depois de um traumatismo craniano, a lógica é parecida: a avaliação mostra o que foi afetado, o que está preservado e o que precisa ser trabalhado na reabilitação.
Mudanças de comportamento e questões de trabalho
Mudanças de personalidade ou de comportamento que surgem na vida adulta também pedem investigação. O NIA, órgão do governo americano dedicado ao envelhecimento, descreve, nas degenerações frontotemporais, sinais como impulsividade, comentários ou atitudes inadequadas, perda de interesse pela família e dificuldade de perceber sinais sociais. Segundo o NIA, esses quadros tendem a aparecer mais cedo que outras demências: cerca de 60% das pessoas afetadas têm entre 45 e 64 anos.
A avaliação também ajuda em questões ocupacionais, como:
- Planejar a volta ao trabalho depois de um adoecimento
- Entender por que o desempenho caiu numa função que antes era bem feita
- Indicar adaptações de tarefas, horários ou ferramentas
Como funciona o processo
A avaliação costuma seguir algumas etapas:
- Entrevista inicial: história de saúde, escolaridade, trabalho, sono, humor e medicamentos em uso
- Informações de terceiros: quando possível, um familiar ou pessoa próxima conta o que observa
- Sessões de testes e escalas: o número varia conforme a pergunta e o ritmo da pessoa
- Análise: resultados comparados com o esperado para a idade e a escolaridade
- Devolutiva: explicação dos resultados, entrega do laudo e recomendações
Para as sessões, leve exames e laudos anteriores, a lista de medicamentos, e óculos ou aparelho auditivo, se usar. Durma bem na noite anterior e avise o profissional se estiver doente ou passando por uma fase de crise, porque isso interfere no desempenho.
Fontes
- NIMH: Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder, What You Need to Know
- Ministério da Saúde: Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com AVC
- NIA: What Are Frontotemporal Disorders?
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




