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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Avaliação neuropsicológica

Avaliação neuropsicológica em adultos: quando fazer

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, ao lado do bolo de inauguração
Kennya Martins na entrada do Instituto Mundo de Dentro.

Em adultos, a avaliação neuropsicológica é indicada quando há dúvida sobre como estão a atenção, a memória, a linguagem ou as funções executivas, e essa resposta muda decisões sobre tratamento, trabalho ou rotina. As situações mais comuns são suspeita de TDAH, queixas de memória, sequelas de AVC ou traumatismo craniano e mudanças de comportamento. Em todas elas, a avaliação complementa o trabalho do médico.

Suspeita de TDAH na vida adulta

Muitos adultos chegam à avaliação depois de anos de dificuldade com prazos, organização e foco. O NIMH, órgão de saúde mental do governo dos Estados Unidos, explica que, a partir dos 17 anos, o diagnóstico exige cinco sintomas de desatenção ou de hiperatividade e impulsividade, e não seis, como nas crianças. Os sinais também precisam ter começado antes dos 12 anos.

Essa exigência torna o processo mais trabalhoso. Segundo o NIMH, o profissional pode:

  • Conversar com pessoas próximas, como parceiro, familiares e amigos
  • Consultar boletins e outros registros da infância
  • Aplicar escalas e questionários de sintomas
  • Usar testes que avaliam processos cognitivos, para mapear forças, dificuldades e possíveis transtornos de aprendizagem
  • Investigar humor e saúde geral, para afastar outras explicações

O NIMH lembra ainda que o TDAH em meninas e mulheres tem mais chance de passar despercebido na infância. O tema é aprofundado no texto sobre TDAH em adultos.

Queixas de memória

Esquecimentos que ficam mais frequentes, a sensação de que o raciocínio está mais lento ou a dificuldade nova com tarefas antes simples merecem conversa com o médico. Ele investiga causas clínicas e pode indicar a avaliação. Os sinais que diferenciam o esquecimento comum de um sinal de alerta estão no texto sobre esquecimentos na vida adulta.

Nesses casos, a avaliação compara o desempenho com o de pessoas da mesma idade e escolaridade. Também registra um ponto de partida, útil se for preciso acompanhar a evolução nos anos seguintes.

Depois de AVC ou traumatismo craniano

As Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com AVC, do Ministério da Saúde, informam que o comprometimento cognitivo é comum na fase aguda, com prevalência de 45%. Ele pode envolver memória, atenção, linguagem, cálculo, orientação no tempo e no espaço e funções executivas.

As diretrizes recomendam:

  • Triagem para déficits cognitivos e de percepção em todos os pacientes
  • Avaliação neuropsicológica completa para quem apresenta alteração na triagem
  • Escolha dos testes de acordo com idade, escolaridade, tempo e gravidade da lesão e limitações motoras ou sensoriais
  • Acompanhamento ao longo do tempo, porque parte das pessoas pode evoluir para demência vascular

Depois de um traumatismo craniano, a lógica é parecida: a avaliação mostra o que foi afetado, o que está preservado e o que precisa ser trabalhado na reabilitação.

Mudanças de comportamento e questões de trabalho

Mudanças de personalidade ou de comportamento que surgem na vida adulta também pedem investigação. O NIA, órgão do governo americano dedicado ao envelhecimento, descreve, nas degenerações frontotemporais, sinais como impulsividade, comentários ou atitudes inadequadas, perda de interesse pela família e dificuldade de perceber sinais sociais. Segundo o NIA, esses quadros tendem a aparecer mais cedo que outras demências: cerca de 60% das pessoas afetadas têm entre 45 e 64 anos.

A avaliação também ajuda em questões ocupacionais, como:

  • Planejar a volta ao trabalho depois de um adoecimento
  • Entender por que o desempenho caiu numa função que antes era bem feita
  • Indicar adaptações de tarefas, horários ou ferramentas

Como funciona o processo

A avaliação costuma seguir algumas etapas:

  • Entrevista inicial: história de saúde, escolaridade, trabalho, sono, humor e medicamentos em uso
  • Informações de terceiros: quando possível, um familiar ou pessoa próxima conta o que observa
  • Sessões de testes e escalas: o número varia conforme a pergunta e o ritmo da pessoa
  • Análise: resultados comparados com o esperado para a idade e a escolaridade
  • Devolutiva: explicação dos resultados, entrega do laudo e recomendações

Para as sessões, leve exames e laudos anteriores, a lista de medicamentos, e óculos ou aparelho auditivo, se usar. Durma bem na noite anterior e avise o profissional se estiver doente ou passando por uma fase de crise, porque isso interfere no desempenho.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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