Pular para o conteúdo
Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

TDAH em adultos: sinais no dia a dia e como é o diagnóstico

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins sorrindo em uma cabine da sala de estudo assistido
Kennya Martins na sala de estudo assistido do Instituto Mundo de Dentro.

O TDAH não termina na infância. Em muitos adultos, a agitação diminui, mas a desatenção, a desorganização e a impulsividade continuam e passam a pesar no trabalho, nas finanças e nos relacionamentos. O diagnóstico segue os mesmos princípios usados com crianças, com uma exigência a mais: reconstruir a história desde os primeiros anos de escola.

Como o TDAH aparece na vida adulta

De acordo com o NIMH, o instituto norte-americano de pesquisa em saúde mental, os sintomas costumam acompanhar a pessoa na vida adulta, mas mudam de forma. A desatenção tende a persistir; já a hiperatividade e a impulsividade costumam diminuir com a idade. A inquietação física muitas vezes dá lugar a uma sensação de agitação por dentro.

Alguns sinais frequentes:

  • Distrair-se com facilidade, mesmo em tarefas importantes
  • Adiar o que precisa ser feito até o último momento
  • Começar vários projetos e concluir poucos
  • Esquecer compromissos, prazos e recados
  • Perder objetos do dia a dia, como chaves, carteira e documentos
  • Ter pouca paciência para esperar e ouvir o outro até o fim

No trabalho, nas contas e em casa

O NIMH aponta que adultos com TDAH têm mais risco de baixo desempenho profissional e de dificuldades financeiras. No trabalho, isso costuma aparecer como entregas atrasadas, tarefas deixadas pela metade e dificuldade de se manter no mesmo emprego. Nas finanças, são comuns as contas pagas depois do vencimento, as multas por esquecimento e as compras feitas por impulso.

Nos relacionamentos, a pessoa pode parecer desligada durante uma conversa, esquecer datas importantes ou interromper sem perceber. Quem convive com ela muitas vezes interpreta isso como falta de interesse, e o desgaste cresce dos dois lados.

Muitos adultos chegam à avaliação com uma história longa de notas abaixo do que conseguiriam, de broncas por "falta de capricho" e de um esforço maior que o dos colegas para dar conta da mesma rotina.

O que os critérios exigem

O DSM-5, manual de referência para o diagnóstico, traz pontos que também valem para adultos:

  • Número de sintomas: a partir dos 17 anos, são exigidos cinco sintomas de desatenção ou cinco de hiperatividade e impulsividade (nas crianças, o mínimo é seis)
  • Início na infância: alguns sintomas precisam ter aparecido antes dos 12 anos
  • Duração: o quadro se mantém por seis meses ou mais
  • Mais de uma área da vida: os sintomas se manifestam em dois ou mais contextos, como trabalho, casa e vida social
  • Prejuízo: atrapalham de forma clara o funcionamento
  • Outras explicações descartadas: o quadro não é mais bem explicado por outra condição, como depressão

Como é feito o diagnóstico

Em adultos, o diagnóstico também é clínico e fica a cargo do médico, em geral psiquiatra ou neurologista. Ele se apoia em uma entrevista detalhada sobre a vida atual e a infância. Como a lembrança dos próprios primeiros anos nem sempre é confiável, o profissional pode conversar com pais, irmãos ou parceiro e pedir boletins e registros escolares antigos.

Questionários de rastreio ajudam a organizar a investigação, mas não fecham diagnóstico sozinhos. O processo também inclui olhar para condições que causam sintomas parecidos ou que costumam aparecer junto, como ansiedade, depressão, uso de substâncias e problemas de sono.

Onde entra a avaliação neuropsicológica

A avaliação neuropsicológica complementa o diagnóstico médico. Com testes padronizados, ela mede atenção, memória, velocidade de processamento e funções executivas, como planejamento e controle de impulsos. O resultado mostra quais habilidades estão preservadas e quais ficam abaixo do esperado, o que ajuda a distinguir o TDAH de outras causas de desatenção e a planejar estratégias para o trabalho e os estudos. Veja quando a avaliação neuropsicológica em adultos faz sentido.

Quando procurar ajuda

Vale buscar avaliação quando as dificuldades:

  • acompanham a pessoa desde a época da escola, em vez de terem surgido de repente
  • se repetem em mais de uma área da vida
  • continuam mesmo com agenda, alarmes e muito esforço
  • trazem prejuízo concreto, como advertências, dívidas ou brigas frequentes

Esquecimentos que começaram há pouco tempo, sem nenhum sinal na infância, pedem outro tipo de investigação, que começa pelo médico. Leia também sobre esquecimentos na vida adulta.

Com o diagnóstico bem feito, o plano de cuidado pode combinar orientação, psicoterapia e, quando o médico indicar, medicação.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

Agende um atendimento

Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

Falar pelo WhatsApp