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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Avaliação neuropsicológica

Funções executivas: o que são e como aparecem no dia a dia

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo no consultório, com parede de pedra ao fundo
Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga.

Funções executivas são as habilidades mentais que nos permitem segurar impulsos, guardar e usar informações por alguns instantes e mudar de estratégia quando algo não dá certo. A partir delas, planejamos, organizamos e resolvemos problemas. Elas começam a se desenvolver cedo e só amadurecem por completo no início da vida adulta.

Os três componentes centrais

A literatura científica costuma descrever três funções executivas centrais:

  • Controle inibitório: frear um comportamento, um pensamento ou uma distração que atrapalha o objetivo do momento
  • Memória de trabalho: manter uma informação na mente e manipulá-la, como numa conta de cabeça
  • Flexibilidade cognitiva: alternar entre tarefas, mudar de estratégia e pensar em soluções novas

Revisões recentes descrevem que, a partir desses três núcleos, se constroem habilidades mais complexas, como raciocínio, planejamento e resolução de problemas. A organização do material, do tempo e das etapas de uma tarefa depende de todas elas trabalhando juntas.

Como aparecem na infância

O Centro para a Criança em Desenvolvimento da Universidade Harvard compara as funções executivas a uma torre de controle de aeroporto, que coordena muitas chegadas e partidas ao mesmo tempo. Segundo o centro, elas ajudam a criança a lembrar e seguir instruções com várias etapas, a se ajustar quando as regras mudam e a controlar respostas impulsivas.

No dia a dia, isso aparece em situações como:

  • Esperar a vez num jogo sem pegar a peça do colega
  • Começar a lição sem que alguém precise lembrar a cada minuto
  • Aceitar que o passeio mudou por causa da chuva
  • Guardar o material na mochila na ordem certa
  • Corrigir um erro sem apagar a folha inteira

O mesmo centro aponta a fase dos 3 aos 5 anos como uma janela de crescimento acelerado dessas habilidades, que seguem amadurecendo pela adolescência. Por isso, uma criança de 7 anos precisa de bem mais ajuda para se organizar do que um adolescente, e isso é esperado.

Como aparecem na vida adulta

Nos adultos, as funções executivas sustentam boa parte da autonomia:

  • Planejar a semana e cumprir prazos
  • Administrar contas e compromissos
  • Retomar uma tarefa depois de uma interrupção
  • Começar uma atividade chata sem adiar indefinidamente
  • Não responder no impulso numa discussão

Dificuldades persistentes nessas áreas aparecem em vários quadros. Segundo o manual de neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia, os comportamentos típicos do TDAH têm sido atribuídos a uma disfunção ampla do funcionamento executivo. Lesões como as do AVC e do traumatismo craniano também podem afetar essas funções.

Como são avaliadas

A avaliação neuropsicológica combina várias fontes. Entrevistas e questionários com a pessoa, a família ou a escola mostram como as dificuldades aparecem na rotina. Tarefas padronizadas medem cada componente separadamente, por exemplo:

  • Repetir sequências de números na ordem inversa, para a memória de trabalho
  • Ligar números e letras alternadamente, para a flexibilidade
  • Falar palavras de duas categorias, alternando entre elas
  • Responder a estímulos em que é preciso ignorar a resposta automática, para o controle inibitório
  • Resolver problemas que exigem planejar vários passos antes de agir

Cada resultado é interpretado à luz do desempenho típico de pessoas da mesma faixa etária e escolaridade. Nenhum teste isolado define um diagnóstico: o que importa é o conjunto, cruzado com a história e o dia a dia. Um dos componentes, a memória de trabalho, tem um texto próprio sobre memória de trabalho na infância.

O que ajuda essas habilidades

O centro de Harvard destaca que o estresse intenso e prolongado prejudica os circuitos cerebrais ligados às funções executivas. Entre os apoios que favorecem o desenvolvimento, cita:

  • Rotinas previsíveis, com adultos presentes e consistentes
  • Brincadeiras livres e criativas, com apoio de adultos
  • Convivência com outras crianças
  • Atividade física frequente
  • Desafios que aumentam aos poucos, sem chegar à frustração

Se as dificuldades persistem, aparecem em mais de um ambiente e atrapalham a escola, o trabalho ou a convivência, vale conversar com o médico e considerar uma avaliação neuropsicológica. Para crianças com TDAH, o texto sobre rotina em casa traz ideias práticas.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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