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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Neurofeedback

Mapeamento cerebral: o que é o EEG quantitativo (qEEG)

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo no consultório, com parede de pedra ao fundo
Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga.

O mapeamento cerebral é um eletroencefalograma (EEG) cujo registro é analisado por computador, por isso também se chama EEG quantitativo, ou qEEG. Em serviços de neurofeedback, ele muitas vezes é feito antes do treino para ajudar a planejar o protocolo. O exame é indolor e não invasivo, mas tem limites claros: sozinho, não confirma nem descarta nenhum diagnóstico.

O que o EEG registra

O EEG mede a atividade elétrica do cérebro por meio de pequenos eletrodos colocados no couro cabeludo. Esses sinais oscilam em ritmos diferentes, chamados de frequências, que mudam conforme a pessoa está relaxada, alerta ou dormindo.

Na medicina, o EEG convencional é um dos principais exames para investigar epilepsia. Ele também ajuda em outras situações, como tumores, lesões após traumatismo, AVC e distúrbios do sono. Nesses casos, o médico examina o traçado em busca de alterações específicas.

O que muda no EEG quantitativo

No qEEG, um programa transforma o registro em números. Ele calcula quanto de cada faixa de frequência aparece em cada região da cabeça, como as faixas chamadas delta, teta, alfa e beta. Depois, compara esses valores com um banco de dados de pessoas da mesma faixa etária. Antes dessa análise, os trechos com interferência, como piscadas e movimentos, precisam ser identificados e retirados, porque distorcem os cálculos.

O resultado costuma ser apresentado em mapas coloridos, que mostram onde a atividade está acima ou abaixo da média do grupo de referência. Daí o nome mapeamento.

Como o exame é feito

  • A pessoa usa uma touca elástica com eletrodos, ou os eletrodos são fixados um a um no couro cabeludo
  • Em alguns equipamentos, aplica-se um gel condutor entre o eletrodo e a pele
  • O registro costuma ser feito em repouso, com olhos fechados e abertos, e às vezes durante uma tarefa
  • Os eletrodos apenas captam sinais, e nenhuma corrente é enviada ao cérebro
  • Movimentos, piscadas e tensão nos músculos do rosto interferem no registro, por isso é preciso ficar quieto e relaxado

Para exames de EEG em geral, a orientação é lavar o cabelo antes e evitar condicionador, cremes, sprays e gel. Os remédios de uso contínuo devem ser mantidos, a não ser que o médico oriente outra coisa.

O que o mapeamento pode e não pode dizer

O qEEG descreve padrões de atividade elétrica e pode ajudar o profissional a escolher onde posicionar os sensores e quais frequências trabalhar no neurofeedback. Ele não diagnostica TDAH, autismo, dislexia, ansiedade ou depressão. Esses diagnósticos são clínicos e dependem de entrevista, observação, critérios estabelecidos e, quando indicado, avaliação neuropsicológica, como explica o artigo sobre sinais de TDAH na infância.

Um mapa com áreas fora da média não significa doença, e um mapa dentro da média não descarta dificuldades. Sonolência, medicamentos e interferências no registro também alteram os números. No neurofeedback, o mapeamento serve como ferramenta de planejamento, ao lado da entrevista, dos questionários e da observação do dia a dia.

Em 1997, a Academia Americana de Neurologia e a Sociedade Americana de Neurofisiologia Clínica publicaram uma avaliação sobre o tema. O documento aceitou o qEEG apenas como complemento ao EEG tradicional em algumas situações neurológicas, como epilepsia, AVC e demência, com interpretação feita por médicos experientes em EEG. Para transtornos psiquiátricos, dificuldades de aprendizagem e traumatismo craniano, o uso clínico não foi recomendado. Outros pesquisadores contestaram parte dessas conclusões, e o debate continua.

Antes de fazer o mapeamento

  • Pergunte quem faz o registro e quem interpreta os resultados
  • Entenda para que o exame será usado no seu caso
  • Peça uma explicação dos resultados em linguagem clara
  • Pergunte se o registro será repetido mais tarde para comparação
  • Leve exames anteriores e a lista de medicamentos em uso
  • Se houver suspeita de epilepsia ou de outra doença neurológica, procure avaliação médica com EEG convencional, que o mapeamento não substitui

As dúvidas mais frequentes sobre o treino em si estão reunidas em neurofeedback: perguntas comuns.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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