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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

TDAH na adolescência: estudos, organização e autonomia

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins de braços cruzados diante da parede verde, ao lado do símbolo do Instituto Mundo de Dentro
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Na adolescência, as exigências da escola crescem justamente quando o jovem quer, e precisa, ganhar independência. Para quem tem TDAH, essa fase costuma expor dificuldades de organização, planejamento e controle do tempo que antes eram compensadas pelos pais. Com estratégias concretas e um apoio que diminui aos poucos, o adolescente aprende a se organizar.

O que muda nessa fase

Do sexto ano em diante, são vários professores, várias matérias e provas próximas umas das outras. A rotina deixa de ser conduzida pelos adultos, e o aluno passa a responder por trabalhos com prazo longo e por estudar sem que ninguém mande.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano (NIMH), os sintomas do TDAH em geral continuam na adolescência. O instituto também alerta que adolescentes e adultos com TDAH têm mais chance de se envolver em comportamentos de risco, como o uso de substâncias.

Desafios comuns nessa idade:

  • Esquecer datas de provas e de entrega de trabalhos
  • Deixar tudo para a véspera
  • Sentar para estudar e acabar preso ao celular
  • Não saber por onde começar um trabalho grande
  • Desanimar com notas baixas, mesmo depois de ter estudado

Agenda e planejamento

O CDC americano cita o treino de organização entre as estratégias escolares com apoio de pesquisa, testado também com adolescentes. Esse treino trabalha administração do tempo, planejamento das tarefas e organização do material. Em casa, dá para começar com:

  • Uma agenda única, em papel ou no celular, para provas, trabalhos e compromissos
  • Um alarme diário para lembrar de conferir a agenda
  • Um calendário do mês na parede, com as datas de prova em destaque
  • Uma revisão rápida da mochila na noite anterior

Dividir tarefas e preparar o ambiente de estudo

Tarefas grandes paralisam. Um trabalho de história com entrega em duas semanas fica mais fácil quando vira etapas pequenas: escolher o tema, pesquisar, montar o roteiro, escrever e revisar. Cada etapa ganha uma data própria na agenda.

O NHS, sistema público de saúde britânico, recomenda quebrar tarefas como a lição de casa em períodos de 15 a 20 minutos e deixar uma lista de afazeres num lugar bem visível. Entre um período e outro, uma pausa curta para levantar e beber água ajuda a retomar.

O lugar de estudo também conta:

  • Uma mesa sempre no mesmo lugar, com pouca coisa à vista
  • Celular em outro cômodo, ou com as notificações desligadas, durante o estudo
  • Material separado antes de começar, para não precisar levantar a todo momento
  • Estudo com tarefa concreta: resolver exercícios, fazer um resumo, explicar a matéria em voz alta

Distribuir o estudo ao longo da semana evita a maratona da véspera. Um plano simples, com uma matéria por dia e revisão no fim de semana, já faz diferença na organização.

Sono, a peça que costuma faltar

Na adolescência, é comum o horário de dormir atrasar, e o celular na cama piora o quadro. O resultado são noites curtas, que deixam a atenção ainda mais frágil no dia seguinte. Combinar um horário fixo para o celular sair do quarto evita a negociação de todas as noites. Veja mais em TDAH e sono.

O papel da família

A meta é transferir o controle aos poucos para o adolescente, sem largar de uma vez nem controlar tudo.

  • Combinar junto as regras de estudo e de uso do celular, em vez de impor
  • Reservar uma conversa curta por semana para olhar a agenda dos próximos dias
  • Elogiar o esforço e a organização, e não só a nota
  • Manter contato com a escola, principalmente com a coordenação
  • Apoiar o tratamento indicado pelos profissionais de saúde

O tom da conversa também pesa. Adolescentes costumam reagir mal a cobranças em público e a comparações com irmãos ou colegas. Combinados feitos a sós, com metas pequenas e revisadas juntos, tendem a funcionar melhor.

Sinais de que é hora de pedir ajuda

Notas que caem apesar do esforço, desânimo crescente, isolamento e sinais de consumo de álcool ou drogas são motivos para procurar o médico que acompanha o adolescente. Uma avaliação neuropsicológica pode mostrar quais funções estão mais afetadas e orientar adaptações na escola, enquanto o médico cuida da parte clínica. Se a avaliação foi feita na infância, veja quando faz sentido repetir.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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