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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

Tipos de TDAH: as três apresentações descritas no DSM-5

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, diante de um painel de madeira com luminárias penduradas em cordas
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

O TDAH pode se manifestar de três formas, que o DSM-5 chama de apresentações: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa-impulsiva e combinada. A apresentação descreve quais sintomas se destacam em determinado momento da vida. Ela não é um rótulo fixo e pode mudar com o passar dos anos.

Por que "apresentação" e não "tipo"

Durante muito tempo se falou em "tipos" de TDAH, e a expressão continua comum. O DSM-5 adota o termo apresentação, que descreve o quadro atual da pessoa. O CDC, órgão de controle de doenças do governo americano, resume bem a ideia: como os sintomas mudam com o tempo, a apresentação também pode mudar. O transtorno é o mesmo; o que varia é a forma como ele aparece.

Apresentação predominantemente desatenta

Os sintomas de desatenção se destacam, e a agitação é pequena ou ausente. Exemplos do dia a dia:

  • Errar por descuido em contas e ditados, mesmo sabendo o conteúdo
  • Começar a lição e se perder com qualquer barulho
  • Esquecer no meio do caminho o que foi pedido
  • Perder material escolar com frequência
  • Ter muita dificuldade com tarefas de várias etapas, como um trabalho em grupo

Como não atrapalha a aula, essa criança pode passar anos sem ser notada. Muitas vezes recebe o apelido de "sonhadora" ou "lenta", quando na verdade tem dificuldade de sustentar o foco.

Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva

Aqui predominam a agitação e a impulsividade. Como o comportamento é visível, tende a chamar a atenção de pais e professores.

  • Mexer mãos e pés o tempo todo e levantar da cadeira sem motivo
  • Correr e escalar em momentos inadequados, no caso das crianças pequenas
  • Falar muito e responder antes de a pergunta terminar
  • Ter dificuldade de esperar a vez em jogos e filas
  • Interromper conversas e brincadeiras dos outros

Apresentação combinada

Os dois grupos de sintomas estão presentes em quantidade suficiente. Na criança, isso significa pelo menos seis sintomas de desatenção e seis de hiperatividade e impulsividade. A partir dos 17 anos, o número exigido em cada grupo passa a ser cinco.

Um exemplo: o aluno se levanta várias vezes durante a explicação, interrompe os colegas e, quando volta à carteira, não sabe em que exercício parou.

A apresentação pode mudar ao longo da vida

Conforme o NIMH, que reúne pesquisas sobre saúde mental nos Estados Unidos, a desatenção costuma persistir com a idade, enquanto a hiperatividade e a impulsividade tendem a diminuir. Por isso, um adulto que recebeu o diagnóstico de apresentação combinada na infância pode hoje ter um quadro principalmente desatento.

Na vida adulta, a hiperatividade também pode aparecer de forma menos visível. O Manual MSD descreve que, em adultos, ela costuma surgir mais como inquietação e agitação do que como movimento motor evidente. Veja como isso se traduz no trabalho e em casa em TDAH em adultos: sinais e diagnóstico.

Na prática: apoio e avaliação

A apresentação ajuda a entender onde estão as maiores dificuldades e a planejar apoios. Os critérios que confirmam o TDAH, porém, são os mesmos para as três formas: sintomas mantidos por pelo menos seis meses, alguns deles já presentes antes dos 12 anos, dificuldades em dois ou mais contextos e impacto real na vida da pessoa.

Alguns exemplos de como o foco do apoio pode variar:

  • Na apresentação desatenta, organização do material, listas e redução de distrações costumam ganhar destaque
  • Na hiperativa-impulsiva, pausas para movimento e combinados claros antes das atividades tendem a pesar mais
  • Na combinada, as duas frentes entram no plano

Se você reconhece esses sinais em uma criança ou em si mesmo, o primeiro passo é levar a dúvida ao pediatra ou a um médico. O diagnóstico é fechado por ele, com base na história clínica. A avaliação neuropsicológica complementa a investigação, mostrando o perfil de atenção, memória e funções executivas e ajudando a diferenciar o transtorno de condições com sinais parecidos.

Vale lembrar que nenhuma lista de sintomas substitui a avaliação. Os exemplos acima servem para orientar a conversa com o profissional, e não para concluir um diagnóstico em casa.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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