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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Birras: o que é esperado para cada idade

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, sorrindo diante de um painel de madeira com luminárias de corda
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Birra é uma explosão de choro, gritos ou raiva que aparece quando a criança pequena ainda não sabe lidar com frustração, cansaço ou um desejo contrariado. Ela faz parte do desenvolvimento e tende a diminuir à medida que a criança aprende a usar palavras para o que sente. O que merece atenção é o padrão: frequência, duração, agressividade e a idade em que as crises continuam.

Em que idade as birras são mais comuns

Segundo a MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, as birras costumam começar entre 1 e 3 anos e, nessa fase, podem acontecer pelo menos uma vez por dia. Entre 3 e 5 anos elas continuam, mas com menos frequência. Depois dos 5 anos, passam a ser raras.

Esse período reúne muitas conquistas e poucas ferramentas. A criança quer fazer as coisas sozinha, entende mais do que consegue expressar e ainda tem pouco controle sobre os próprios impulsos. Fome, sono e doença deixam as crises mais prováveis.

Como agir durante a crise

No meio de uma birra, a criança não está em condições de ouvir explicações. A prioridade é a segurança e a calma do adulto.

  • Mantenha a voz baixa e o corpo tranquilo, porque gritar ou bater piora a situação
  • Garanta que ela não se machuque nem machuque ninguém
  • Em lugar público, leve a criança para um canto mais calmo, como o carro ou o banheiro
  • Não ceda ao pedido que desencadeou a crise, para que a birra não vire estratégia
  • Se ela estiver segura, retirar a atenção do comportamento costuma encurtar o episódio

Com os menores, distrair com outra atividade funciona bem, principalmente quando a crise está só começando.

O que fazer depois

Quando a criança se acalmar, converse com poucas palavras. Dê nome ao que ela sentiu ("você ficou com raiva porque o parque acabou") e mostre outra forma de pedir ou de reclamar. Não é preciso sermão. Um abraço, se ela aceitar, encerra o episódio sem abalar a relação.

A prevenção também conta:

  • Horários regulares de refeição e de sono
  • Momentos de descanso tranquilo, mesmo para quem já não cochila
  • Escolhas reais e simples, como "camiseta azul ou verde?"
  • Avisar antes das transições, como a hora de ir embora da festa
  • Escolher as batalhas, sem transformar cada detalhe em disputa

Sinais de que as crises fogem do esperado

Um estudo publicado em 2008 no Journal of Pediatrics acompanhou 270 crianças de 3 a 6 anos e identificou padrões de birra mais ligados a problemas de saúde mental. Em crianças saudáveis, uma birra durava em torno de 10 ou 11 minutos. Os sinais de alerta foram:

  • Agressão contra o cuidador ou destruição de objetos na maioria das crises
  • Machucar a si mesma, por exemplo batendo a cabeça ou se mordendo
  • Mais de cinco birras por dia, por vários dias seguidos
  • Duração média acima de 25 minutos
  • Não conseguir se acalmar sozinha depois do episódio

A MedlinePlus, com base em orientações da Academia Americana de Pediatria, também recomenda buscar ajuda quando as birras pioram ou ficam frequentes depois dos 5 anos, quando a criança prende a respiração até desmaiar ou quando as crises vêm acompanhadas de pesadelos, escapes de xixi depois do desfralde, dores de cabeça ou de barriga, recusa para comer ou dormir e ansiedade.

Quando procurar ajuda

Birras frequentes não querem dizer que a família está errando. Se os sinais acima aparecem, converse com o pediatra e considere uma avaliação em psicologia infantil. Às vezes as crises se misturam com atraso de linguagem, ansiedade ou dificuldades de atenção, e separar uma coisa da outra ajuda a escolher o cuidado certo. O texto TDAH ou falta de limites? aprofunda essa diferença.

Peça apoio também quando sentir que perdeu o controle das próprias reações, gritando com frequência ou com vontade de bater. A orientação parental oferece ferramentas para os pais nesses momentos.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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