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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Ansiedade na infância: quando o medo passa do esperado

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, diante de um painel de madeira com luminárias penduradas em cordas
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Sentir medo faz parte de crescer. O bebê estranha quem não conhece, o pré-escolar teme o escuro e o adolescente fica nervoso antes de apresentar um trabalho. A ansiedade passa a preocupar quando os medos não diminuem com o tempo, aparecem em excesso e começam a atrapalhar a escola, a vida em casa ou as brincadeiras.

Medos que costumam aparecer em cada fase

Alguns medos são tão comuns que funcionam quase como marcos do desenvolvimento:

  • Primeiros anos: sofrimento intenso ao se afastar dos pais, mesmo quando a criança está segura e bem cuidada
  • Por volta dos 3 e 4 anos: medo do escuro e de monstros
  • Crianças maiores e adolescentes: nervosismo ao falar em público, como na apresentação de um trabalho para a turma

Esses medos tendem a ser passageiros. A criança se assusta, recebe apoio e, aos poucos, consegue seguir em frente.

Quando a ansiedade atrapalha

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) explicam que o diagnóstico pode ser considerado quando a criança não supera os medos típicos da infância ou quando são tantas preocupações que elas interferem nas atividades de casa, da escola ou de lazer. A ansiedade também não é um quadro único. Ela inclui, por exemplo:

  • Ansiedade de separação, com medo intenso de ficar longe dos pais
  • Fobias específicas, como de cachorro, de insetos ou de ir ao médico
  • Ansiedade social, com receio forte de lugares com outras pessoas, como a escola
  • Ansiedade generalizada, com preocupação constante e difícil de controlar
  • Transtorno de pânico, com crises repetidas de medo súbito, coração disparado e falta de ar

Sinais no corpo e no comportamento

Muitas crianças guardam as preocupações para si, e os sintomas passam despercebidos. A ansiedade pode aparecer de outras formas:

  • Dor de barriga, enjoo ou dor de cabeça, principalmente antes da escola
  • Dificuldade para dormir
  • Cansaço frequente
  • Irritabilidade e explosões de raiva
  • Recusa em ir à escola
  • Falas como "acho que nunca mais vou te ver" na hora da despedida
  • Perfeccionismo e medo exagerado de errar

Queixas físicas sempre merecem uma consulta com o pediatra, para descartar outras causas.

Como ajudar sem reforçar a evitação

A reação natural dos pais é proteger: deixar faltar à aula, dormir na cama do casal, desistir da festa. Evitar a situação traz alívio na hora, mas não dá à criança a chance de descobrir que consegue enfrentá-la. Por isso, os tratamentos com melhor evidência seguem o caminho oposto: expor a criança aos poucos ao que provoca medo, com apoio, até que a ansiedade diminua.

Em casa, isso vira atitudes simples:

  • Acolher o medo sem ridicularizar, com frases como "eu sei que você está com medo, e eu estou aqui"
  • Em vez de prometer que nada de ruim vai acontecer, mostrar que ela é capaz de lidar com a situação
  • Dividir o desafio em passos menores, como ficar dez minutos na festa antes de ficar até o fim
  • Elogiar a coragem de tentar, mesmo que não saia perfeito
  • Manter horários previsíveis de sono e refeições
  • Cuidar da própria ansiedade, já que pais ansiosos tendem a ter filhos ansiosos e o tratamento dos adultos costuma ajudar a criança

Quando procurar um psicólogo

Busque avaliação quando os medos duram meses, aumentam em vez de diminuir ou impedem a criança de fazer o que se espera para a idade, como ir à escola, dormir fora ou brincar com colegas. A terapia cognitivo-comportamental é a primeira linha de tratamento para ansiedade em crianças e adolescentes, e com os pequenos a participação da família faz parte do processo. Na psicologia infantil, o atendimento de crianças menores costuma usar jogos e brincadeiras como recurso, como mostra o texto sobre o brincar na psicoterapia.

Se o medo se concentra na hora de deitar, leia também sobre o medo de dormir sozinho. Quando o uso de remédio é cogitado, a decisão cabe ao médico.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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