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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Reforço escolar, psicopedagogo ou avaliação neuropsicológica?

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, sorrindo diante de um painel de madeira com luminárias de corda
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Reforço escolar, atendimento psicopedagógico e avaliação neuropsicológica respondem a perguntas diferentes. O reforço retoma conteúdos que ficaram para trás. A psicopedagogia trabalha a forma como a criança aprende. A avaliação neuropsicológica investiga o funcionamento cognitivo para explicar uma dificuldade que não cede. Em muitos casos, os três se complementam.

Reforço escolar: retomar o conteúdo

O reforço é conduzido por um professor ou tutor que revisa a matéria, propõe exercícios e prepara o aluno para as provas. Ele funciona bem quando a dificuldade tem causa clara e localizada:

  • Faltas por doença ou viagem
  • Troca de escola ou de sistema de ensino
  • Um conteúdo novo que não foi bem compreendido
  • Uma matéria específica em que o aluno ficou para trás

Quando a dificuldade continua mesmo depois de meses de reforço bem feito, repetir a mesma estratégia raramente resolve. É hora de trocar a pergunta "o que falta ensinar?" por "por que ela não está aprendendo?"

Psicopedagogia: o processo de aprender

A psicopedagogia tem como objeto o processo de aprendizagem. O psicopedagogo atua em diagnóstico, prevenção e intervenção, tanto na clínica quanto em escolas e outras instituições. Na clínica, ele faz uma avaliação própria, a partir da escuta psicopedagógica, e acompanha a criança com intervenções voltadas para o modo como ela aprende.

Esse trabalho costuma envolver:

  • Estratégias de estudo e organização do material
  • Leitura e escrita trabalhadas de forma individualizada
  • Relação da criança com o erro, com a escola e com a própria capacidade
  • Orientação à família e contato com a escola

O foco está nas habilidades que servem para várias matérias, e não na revisão de um conteúdo específico.

Avaliação neuropsicológica: entender o porquê

A avaliação neuropsicológica é um processo com começo, meio e fim. Ela investiga atenção, memória, linguagem, funções executivas, raciocínio e percepção, compara o desempenho com o esperado para a idade e procura explicar o padrão encontrado. Ela ajuda a diferenciar, por exemplo, dislexia, TDAH, ansiedade ou uma combinação desses quadros.

Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), avaliar é investigar fenômenos psicológicos de forma organizada, com métodos reconhecidos pela ciência, para embasar decisões. Pela Resolução CFP nº 31/2022, o uso de testes psicológicos é privativo do psicólogo, e eles precisam ser aplicados conforme os manuais aprovados no sistema de avaliação de testes do conselho, o SATEPSI. Para entender como as duas se relacionam, veja a diferença entre avaliação neuropsicológica e avaliação psicológica.

Ao final, a família recebe uma devolutiva com os resultados e as orientações. A avaliação não substitui o acompanhamento. Ela indica qual acompanhamento faz sentido.

Quando cada um faz sentido

  • Reforço: dificuldade recente, em um conteúdo ou matéria, com causa conhecida
  • Psicopedagogia: dificuldade que atravessa várias matérias e envolve organização, estratégias de estudo ou bloqueio diante da escola
  • Avaliação neuropsicológica: dificuldade que persiste apesar do apoio, suspeita de dislexia, discalculia ou TDAH, diferença muito grande entre áreas fortes e fracas, ou necessidade de orientar a escola com base em dados

Como eles se complementam

Um caminho comum começa com o reforço. Se a dificuldade não cede, entra a avaliação. O resultado então orienta todo o resto: o que o psicopedagogo vai priorizar, se é preciso incluir fonoaudiólogo ou terapeuta ocupacional e que adaptações a escola pode oferecer. Até o reforço fica mais eficiente quando o professor sabe como aquela criança aprende melhor.

A Associação Brasileira de Dislexia, por exemplo, orienta que o diagnóstico de dislexia seja construído por uma equipe, com avaliação neuropsicológica, fonoaudiológica e psicopedagógica, e não por um profissional sozinho.

Antes de decidir

  • Converse com a professora sobre onde exatamente a dificuldade aparece
  • Pergunte há quanto tempo ela existe e o que já foi tentado
  • Observe se o problema está em uma matéria ou em várias
  • Verifique a formação e o registro profissional de quem vai atender
  • Se a dúvida for sobre a causa, procure uma avaliação neuropsicológica antes de acumular atendimentos

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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