Depois de uma pancada na cabeça, é comum a pessoa se sentir lenta, distraída ou esquecida por alguns dias. No traumatismo craniano leve, também chamado de concussão, a maioria das pessoas melhora em poucas semanas, segundo o CDC, centro de controle de doenças dos Estados Unidos. Alguns sinais, porém, indicam risco e exigem atendimento de emergência.
O que é a concussão
A concussão é uma forma leve de lesão cerebral provocada por uma pancada, um golpe ou um solavanco na cabeça ou no corpo. Ela pode acontecer em quedas, acidentes de trânsito e práticas esportivas. Nem sempre a pessoa desmaia, e isso não torna o quadro menos real.
Alguns sintomas aparecem logo após o trauma. Outros só surgem horas ou dias depois, e eles podem mudar ao longo da recuperação.
Sintomas mais comuns
O CDC agrupa os sintomas da concussão em quatro áreas:
- Cognitivos: dificuldade de atenção e concentração, sensação de lentidão ou de cabeça "nublada", falhas de memória, dificuldade para pensar com clareza
- Físicos: dor de cabeça, tontura, falta de equilíbrio, sensibilidade à luz e ao barulho, cansaço, náusea e alterações na visão
- Emocionais: irritabilidade, ansiedade, tristeza e sensação de estar mais emotivo
- Sono: dormir mais ou menos que o habitual e dificuldade para pegar no sono
No dia a dia, as queixas cognitivas podem aparecer como ler a mesma página várias vezes, perder o fio da conversa ou levar mais tempo para concluir tarefas simples. Esses sintomas podem passar despercebidos pela própria pessoa, pela família e até por profissionais de saúde. Por isso, vale registrar o que mudou depois da pancada.
Sinais de alerta: vá à emergência
Procure atendimento de emergência imediatamente, ou ligue para o SAMU (192), se houver:
- Dor de cabeça que piora e não passa
- Fraqueza, dormência, perda de coordenação ou convulsões
- Vômitos repetidos
- Fala enrolada ou comportamento diferente do habitual
- Uma pupila maior que a outra
- Confusão, agitação ou dificuldade de reconhecer pessoas e lugares
- Perda de consciência, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar
Em crianças, também são sinais de alerta o choro que não para e a recusa em mamar ou comer.
Volta gradual às atividades
O CDC orienta repouso nos primeiros dias, quando os sintomas são mais fortes, e esse afastamento costuma durar no máximo um ou dois dias. Depois, a recomendação é retomar as atividades aos poucos, mesmo com sintomas leves, e diminuir o ritmo se eles piorarem. Com os cuidados adequados, a maioria das pessoas volta ao trabalho e à escola em alguns dias ou semanas.
- Peça ao médico orientação por escrito sobre quando voltar ao trabalho, à escola e à direção de veículos
- Evite atividades com risco de nova pancada, como esportes, até a liberação
- Cuide do sono: horário fixo para deitar e acordar, quarto escuro e menos telas e música alta antes de dormir
- No trabalho ou nos estudos, combine pausas e tarefas mais curtas no início
- Na escola, ajustes temporários, como prazos maiores e provas remarcadas, podem ajudar durante a recuperação
Quando os sintomas não passam
Converse com o médico se os sintomas não melhorarem em duas a três semanas ou se piorarem depois da volta às atividades. Quando as queixas duram meses, o quadro pode ser chamado de síndrome pós-concussional. Ansiedade e depressão podem dificultar a recuperação, então mencione ao médico se elas aparecerem. Conte também sobre concussões anteriores, porque sintomas prolongados parecem ser mais comuns em quem já teve várias.
Nesses casos, o médico pode encaminhar a pessoa a especialistas. A avaliação neuropsicológica mede atenção, memória e velocidade de processamento e ajuda a planejar ajustes na escola ou no trabalho. Quando necessário, ela também orienta a reabilitação, que segue princípios parecidos com os descritos em reabilitação cognitiva após AVC. Para entender as diferentes formas de atenção que podem ser afetadas, veja tipos de atenção.
Fontes
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




