Pedir para dormir com os pais, chamar várias vezes durante a noite ou exigir a luz acesa são comportamentos comuns na infância. Na maior parte das vezes, o medo de dormir sozinho acompanha uma fase do desenvolvimento e melhora com rotina, paciência e uma transição feita em etapas.
Por que o medo aparece
A hora de dormir é também uma separação. Entre 1 e 2 anos, a resistência para ir para a cama costuma estar ligada à ansiedade de separação, a dificuldade natural de ficar longe dos pais. Aos 3 ou 4 anos, a imaginação ganha força, e o escuro e os monstros entram em cena. Crianças maiores às vezes usam a hora de deitar para negociar e ganhar algum controle sobre a rotina.
Outros fatores também pesam:
- Mudanças recentes, como casa nova, escola nova ou doença
- Situações de estresse na família
- Filmes, vídeos e jogos assustadores ou agitados perto da hora de deitar
- Horários irregulares, que fazem a criança chegar à cama sem sono
Uma rotina que prepara para o sono
Uma sequência previsível avisa ao corpo que o dia está terminando. Banho, pijama, dentes escovados, uma história e luz baixa, sempre na mesma ordem, funcionam melhor do que regras novas a cada noite. O horário de deitar também precisa respeitar a necessidade de sono da idade. Veja quantas horas de sono são recomendadas em cada fase.
Transição gradual para a própria cama
Mudar tudo de uma vez costuma trazer mais choro e mais visitas ao quarto dos pais. Uma retirada em etapas é mais fácil de tolerar:
- Ofereça um objeto de conforto, como um bichinho de pelúcia ou uma manta
- Use uma luz noturna fraca, se o escuro assusta
- No começo, fique sentado em silêncio no quarto ou no corredor, onde ela possa ver você
- A cada poucas noites, afaste-se um pouco mais
- Saia quando ela estiver quieta, mas ainda acordada, para que aprenda a adormecer sem ajuda
- Se ela levantar de madrugada, leve-a de volta para a cama com calma, sem brincadeira, comida ou bronca
Ficar muito tempo no quarto ou tirar a criança da cama a cada chamado tende a reforçar a resistência. De manhã, comente com ela as noites em que conseguiu ficar no próprio quarto.
Pesadelo ou terror noturno?
Os dois assustam a família, mas são diferentes.
Pesadelo é um sonho ruim que acontece no sono REM, fase ligada aos sonhos. A criança acorda de verdade, lembra o que sonhou e consegue ser consolada. Pesadelos tendem a aumentar em períodos de estresse e depois de filmes ou histórias de terror.
Terror noturno acontece no sono profundo, fora da fase REM, em geral nas primeiras horas depois de adormecer. A criança grita, parece apavorada e respira rápido, mas não está acordada. Ela não responde ao consolo, volta a dormir depois de alguns minutos e, no dia seguinte, não se lembra do que houve. É mais comum entre 3 e 8 anos e costuma desaparecer sozinho.
Durante um terror noturno, não tente acordar nem estimular a criança, porque isso pode prolongar o episódio. Fique por perto e garanta a segurança dela, protegendo janelas e tirando do alcance objetos que possam ferir.
Quando procurar ajuda
Converse com o pediatra ou com um psicólogo se houver:
- Terrores noturnos tão frequentes que reduzem as horas de sono
- Terrores noturnos que continuam depois dos 12 anos
- Episódios longos, repetidos várias vezes na mesma noite e com movimentos parecidos, que precisam ser diferenciados de crises epilépticas
- Pesadelos frequentes que deixam a criança com medo de deitar ou cansada durante o dia
- Ronco e sono agitado, que pedem avaliação médica
- Medo que se espalha para outras situações, como ir à escola ou ficar longe dos pais
Nesse último caso, vale conhecer os sinais de ansiedade na infância. O acompanhamento em psicologia infantil ajuda a entender o que alimenta o medo e a planejar a transição com a família.
Fontes
- Manual MSD: Problemas do sono em crianças
- Manual MSD (profissional): Problemas do sono na infância
- Sociedade Brasileira de Pediatria: Parassonias (documento científico, 2022)
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




