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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Medo de dormir sozinho: como ajudar a criança

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, com a fita e os balões da inauguração
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Pedir para dormir com os pais, chamar várias vezes durante a noite ou exigir a luz acesa são comportamentos comuns na infância. Na maior parte das vezes, o medo de dormir sozinho acompanha uma fase do desenvolvimento e melhora com rotina, paciência e uma transição feita em etapas.

Por que o medo aparece

A hora de dormir é também uma separação. Entre 1 e 2 anos, a resistência para ir para a cama costuma estar ligada à ansiedade de separação, a dificuldade natural de ficar longe dos pais. Aos 3 ou 4 anos, a imaginação ganha força, e o escuro e os monstros entram em cena. Crianças maiores às vezes usam a hora de deitar para negociar e ganhar algum controle sobre a rotina.

Outros fatores também pesam:

  • Mudanças recentes, como casa nova, escola nova ou doença
  • Situações de estresse na família
  • Filmes, vídeos e jogos assustadores ou agitados perto da hora de deitar
  • Horários irregulares, que fazem a criança chegar à cama sem sono

Uma rotina que prepara para o sono

Uma sequência previsível avisa ao corpo que o dia está terminando. Banho, pijama, dentes escovados, uma história e luz baixa, sempre na mesma ordem, funcionam melhor do que regras novas a cada noite. O horário de deitar também precisa respeitar a necessidade de sono da idade. Veja quantas horas de sono são recomendadas em cada fase.

Transição gradual para a própria cama

Mudar tudo de uma vez costuma trazer mais choro e mais visitas ao quarto dos pais. Uma retirada em etapas é mais fácil de tolerar:

  • Ofereça um objeto de conforto, como um bichinho de pelúcia ou uma manta
  • Use uma luz noturna fraca, se o escuro assusta
  • No começo, fique sentado em silêncio no quarto ou no corredor, onde ela possa ver você
  • A cada poucas noites, afaste-se um pouco mais
  • Saia quando ela estiver quieta, mas ainda acordada, para que aprenda a adormecer sem ajuda
  • Se ela levantar de madrugada, leve-a de volta para a cama com calma, sem brincadeira, comida ou bronca

Ficar muito tempo no quarto ou tirar a criança da cama a cada chamado tende a reforçar a resistência. De manhã, comente com ela as noites em que conseguiu ficar no próprio quarto.

Pesadelo ou terror noturno?

Os dois assustam a família, mas são diferentes.

Pesadelo é um sonho ruim que acontece no sono REM, fase ligada aos sonhos. A criança acorda de verdade, lembra o que sonhou e consegue ser consolada. Pesadelos tendem a aumentar em períodos de estresse e depois de filmes ou histórias de terror.

Terror noturno acontece no sono profundo, fora da fase REM, em geral nas primeiras horas depois de adormecer. A criança grita, parece apavorada e respira rápido, mas não está acordada. Ela não responde ao consolo, volta a dormir depois de alguns minutos e, no dia seguinte, não se lembra do que houve. É mais comum entre 3 e 8 anos e costuma desaparecer sozinho.

Durante um terror noturno, não tente acordar nem estimular a criança, porque isso pode prolongar o episódio. Fique por perto e garanta a segurança dela, protegendo janelas e tirando do alcance objetos que possam ferir.

Quando procurar ajuda

Converse com o pediatra ou com um psicólogo se houver:

  • Terrores noturnos tão frequentes que reduzem as horas de sono
  • Terrores noturnos que continuam depois dos 12 anos
  • Episódios longos, repetidos várias vezes na mesma noite e com movimentos parecidos, que precisam ser diferenciados de crises epilépticas
  • Pesadelos frequentes que deixam a criança com medo de deitar ou cansada durante o dia
  • Ronco e sono agitado, que pedem avaliação médica
  • Medo que se espalha para outras situações, como ir à escola ou ficar longe dos pais

Nesse último caso, vale conhecer os sinais de ansiedade na infância. O acompanhamento em psicologia infantil ajuda a entender o que alimenta o medo e a planejar a transição com a família.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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